Dicas

A cama que é sempre melhor que a minha

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Por: Valesca Souza - CRP 06 / 50721 - 3
Psicóloga Clinica - Especialista em Neuropsicologia

   
    Olá caros leitores irei discorrer sobre algo que, em determinadas épocas do ano (maio / junho), vira rotina na casa de muitos de vocês. Com quedas de temperatura e feriados prolongados, quantas famílias foram surpreendidas com as frases?:

     E parece que estou vendo vários "dedinhos" levantados. Não se envergonhem, esta foi, é e será a realidade de muitas famílias mundiais. Já vi documentários, recebi em Consultório e li sobre o tema e não é raro, trata-se de uma prática de cerca de 35% das crianças, segundo o psicoterapeuta Roque Theophilo, autor de "O Amigo Psicólogo".
     Acredito que não existam temas que se estanquem, principalmente quando falamos de Desenvolvimento e Saúde Emocional da Primeira Infância, por isso, falar de filhos que buscam a cama dos pais é falar também de limites.
     Realmente, o frio e o aconchego buscam esta situação. Mas a questão é que vivemos estações climáticas e o inverno acaba, mas o carinho, a maciez do colchão e o cafuné dispensados pelos pais aos filhos, não. Portanto, a primavera chega, o clima começa a esquentar, dormir agarradinho já não é o melhor negócio, e deixar a cama dos pais... nem pensar... Daí surgem situações-problema e soluções infundadas, ou uma verdadeira "guerra" para que os filhos não fiquem em sua cama, ou sai o pai e vai para a cama do filho.
     A "Guerra de Travesseiros" é a única que devemos levantar a bandeira favoravelmente. Pratiquei com meus pais (e tenho excelentes recordações). É muito saudável, é talvez um dos momentos de interação familiar mais prazerosos para a criança e deve existir sim.
     Minha preocupação está no ponto em que uma alteração vira rotina, em que o saudável torna-se incômodo e irreversível. Durante o inverno existe um dia denominado "12 de junho". O que fazer? O que vocês dirão aos rebentos?: "Olha filho, hoje tá frio, sua cama é gelada, mas você tem que dormir lá" Ah! desculpe, esqueci dos maridos românticos nesta data e a saída estratégica para a casa da avó. Mas e aquele dia em que não há nada de especial, mas "pinta aquela vontade", espera ele dormir para levá-lo à cama dele? (e, misteriosamente ele não dorme, ou quando dorme vocês colocam na cama ele acorda!).
     Isso sem contar que, voltando um pouco no tempo, recordem-se do período em que foi confirmada a gravidez até a ida à Maternidade. Vocês idealizaram e mobiliaram um quarto com berço, enfeites, babá eletrônica, tudo de mais belo e doce. E agora, este quarto é simplesmente um depósito de roupas e brinquedos. Seu filho não dorme no quarto dele, porque vocês não conseguem impor o limite de que cada um deve ter o seu espaço.
     Certa vez recebi em meu Consultório uma criança com a queixa de agressividade. Em entrevista descobri que os filhos dormiam no mesmo quarto que os pais e a mãe disse que o casamento estava fracassado e quando havia algo entre o casal, ocorria em alta madrugada e as crianças já estavam dormindo. Por outro lado, a criança, contando-me histórias, projeta, quando vê dois ursos em uma caverna lado a lado, que o urso estava em cima da ursa, ela chorava, dizia ai, mas pedia para ele não parar. Conseguem ligar os fatos? Claro, este foi um dos casos que soube, apesar de ter lido um artigo da Associação Médica Brasileira que revela um estudo de 18 anos, com 25 famílias e afirma que não há porque se preocupar com o distúrbio de sono e sexo dos filhos que dormem em suas camas, mas eu me preocupo.
     Existem casos e casos. Há milhares de famílias que dividem com 5 filhos o mesmo cômodo. Mas aqui, a questão não é esta, busco conscientizá-los de que o espaço desde bebê deve existir e ser respeitado dentro da família. Como? Através dos limites. A saudável bagunça do final de semana é necessária, mas somente aos finais de semana e não em todos.
     Os pais separados, que não sabem o que a vida e o destino lhe reservam, podem assumir um novo e definitivo relacionamento e já imaginaram como ele será visto pelo filho de vocês: "Aquele que 'roubou' o meu lugar na cama da minha mãe ou do meu pai?. E "aquela vontade" necessária à vida do casal deve existir, mas não deve vir acompanhada de uma desnecessária preocupação para retirada estratégica dos filhos da cama naquela noite.
     Cientes de que suas camas são quentes, aconchegantes e que seu quarto é sim o seu espaço e é nele que seu mundo será constituído e consolidado, o senso de responsabilidade da criança poderá ser melhor trabalhado desde já. Sem traumas e experiências dramáticas a todos.


  

  

Valesca Souza - CRP 06 / 50721 - 3
Psicóloga Clinica - Especialista em Neuropsicologia
e-mail: valescasouza@gmail.com