Dicas

O cérebro em "zap"

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Uma década separa a geração Y norte-americana da brasileira,
adolescentes que convivem com tecnologias virtuais desde cedo


  Crianças têm contato cada
vez mais cedo com o
computador no Brasil

   A geração Y brasileira é composta daqueles nascidos a partir de 1988. Idiossincrasias à parte, um típico membro desse grupo, dentre outras coisas, convive com a alta tecnologia desde a primeira infância, é individualista e consumista. Para os pais dessas crianças, sejam eles "baby-boomers" (nascidos entre 1923 e 1960) ou representantes da geração X (1960-1978), o maior desafio ao educá-los é conseguir deles alguns minutos de atenção.
   Se a geração Y norte-americana está entrando no mercado de trabalho (pois nasceu depois de 1978, estando hoje no máximo com 24 anos), a brasileira está na pré-adolescência (começaram a nascer dez anos depois, em 1988, e estão abaixo dos 14 anos). A década que as separa corresponde não só ao atraso tecnológico que distancia Brasil e Estados Unidos, mas também ao tempo que levou a incubação do vírus "cultura americana" em nosso país. Além disso, a prosperidade econômica dos norte-americanos durou mais tempo e foi muito maior que a nossa, só para levar em conta mais um item essencial.
  
O processo ocorreu em períodos distintos nas diversas regiões do planeta. No entanto, em alguns países (europeus inclusive) a geração Y sequer existe. Em outros, como a França, a relação com a Internet tende a ser menos arraigada.

   Segundo o psiquiatra Içami Tiba, esses indivíduos possuem um "cérebro zap", ou seja, assim que algum objeto de sua atenção, seja ele um desenho do "Cartoon Network" ou seu pai falando, torna-se minimamente desinteressante, ele o "zapeia", foca em outra coisa. É como se essas crianças possuíssem um controle remoto da vida o tempo todo nas mãos.
   Esse comportamento deriva principalmente do uso freqüente do computador. "Quanto mais cedo o computador entra na vida da criança, mais ela fica acostumada à velocidade e à interatividade", diz Tiba. Ele explica que esse hábito de lidar com a rapidez e a potência da máquina passa a fazer parte do arsenal de costumes da criança que definirá o seu "como somos" -aquilo que não está na herança genética, nos cromossomos.

  

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por Mauro Hossepian