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Dicas Como as crianças aprendem |
Os
princípios psicopedagógicos que norteiam um ambiente estimulante e
principalmente feliz para as crianças estão inter-relacionados e são
interdependentes: auto-estima, motivação, aprendizagem e disciplina.
Conforme verificamos, o desenvolvimento da criança ocorre
eficazmente se prestarmos a devida atenção na relação pais e filhos.
No campo afetivo, pretendeu-se refletir em como ajudar as crianças
a criar sentimentos positivos em relação a si mesma. Sentindo-se valiosa e
segura, o êxito escolar estará garantido.
No
campo cognitivo, recomenda-se enriquecer e ampliar o vocabulário da criança. A
ênfase no aprendizado de novas palavras tem como objetivo possibilitar a obtenção
de melhores resultados na escola e também ajudar a criança a ordenar o
pensamento em função do mundo em que vive e fazê-la sentir-se capaz, aceita e
valiosa.
Além
da expressão oral e da ordenação do pensamento infantil há o desenvolvimento
do raciocínio lógico - matemático, da psicomotricidade, e do aspecto sócio-emocional
contribuindo adequadamente para que esse "sujeito" (a criança), seja
ajudado na sua totalidade, onde todas as partes do desenvolvimento são
atendidas adequadamente.
Acreditando
nesta interelação, não podemos tratar isoladamente cada parte deste processo
do crescimento infantil, pois o cognitivo depende do afetivo, que influi no
psicológico, que está relacionado ao psicomotor, ao físico, ao emocional...
Portanto é fundamental que se preocupe com todos os aspectos do desenvolvimento
infantil. Todos são igualmente importantes. E se processam simultaneamente.
Separamos
apenas para facilitar o nosso entendimento, mas reforçamos que o processo de
desenvolvimento acontece como um todo.
Aprendizagem
A
criança aprende o tempo todo, mas não necessariamente aquilo que os pais
tentam ensinar-lhes de forma intencional.
A
relação ensino - aprendizagem nem sempre é linear e direta : nem tudo que se
ensina, se aprende, e às vezes aprendem-se coisas que não se pretendem
ensinar.
O
papel dos pais deve consistir em suscitar problemas adequados às capacidades da
criança, e não tanto oferecer soluções para que ela memorize e repita. Além
disso, a aprendizagem por meio da ação e da exploração é conquista, é
construção do conhecimento pela própria criança. Uma vez adquirido por ela
mesma, a apropriação deste conhecimento é mais significativa e nela
permanecem.
E
nada mais enriquecedor do que propor atividades criativas e desafiadoras que
podem acontecer no quintal, na sala, no shopping, no carro, na rua.
A
aprendizagem lúdica através de jogos, brincadeiras, músicas, e dramatizações
é significativa e altamente motivadora, devendo acontecer em casa e na escola,
em especial na sala de aula, onde aprender vira "ofício do brincar" e
a vida escolar um enorme prazer.
Que
princípios de aprendizagem deveriam ser levados em conta para estimular o
pensamento da criança ?
Aprendemos algumas ações, medos ou sentimentos por associação,
isto é, pela coincidência de vários estímulos que nos levam a estabelecer
nexos entre eles. Ou ainda, por meio das conseqüências de nossa conduta, sejam
efeitos negativos ou positivos das mesmas. Foi Thorndike (1911) quem formulou a
Lei do Efeito, referente à afirmação anterior e foi Skimner (1953) quem
contribuiu para o desenvolvimento desta idéia: um comportamento tende a
repetir-se quando provoca a aparição de algo agradável para a pessoa (reforço
positivo) ou a eliminação de algo desagradável (reforço negativo).
Mas, não estarão as crianças de hoje mais do que recompensadas?
Uma
saturação de reforços não ajuda a criança descriminar o fez bem do que fez
mal. É preciso saber dosar. A apresentação constante de reforços de grande
valor traz consigo a perda de valor desses reforços.
Os reforços podem ser usados, desde que bem utilizados.
Seja
o reforço social (elogios, atenção), simbólico (dinheiro, notas no boletim),
material (presentes) ou de atividade (um jogo, um passeio, uma diversão), é
importante que os pais utilizem com muito zelo e bom - senso.
Montar
um quebra - cabeça pode ser gratificante para uma criança, mas pode significar
um castigo para outra; o que revela o caráter subjetivo do reforço.
É
necessário identificar que atividades são relevantes para modificar o
comportamento da criança e despertar o seu interesse. Com isso, elimina-se um
possível mercantilismo nas condutas de pais e filhos ("eu faço isso se em
troca me deres aquilo").
Aprende-se
também por meio da observação, por modelos e ações dos outros, o que nos
faz salientar o valor do exemplo. Isto também nos permite influir sobre a
conduta da criança indiretamente, por meio de elogios ou críticas que fazem ao
comportamento de outras pessoas. Para Vygotski (1979), a criança aprende e se
desenvolve com aquilo que faz sozinha, de forma independente e àquilo que ela
faz com a colaboração de outras pessoas, especialmente imitando os adultos.
A
aprendizagem por observação explica também certas tendências agressivas das
crianças, os impulsos consumistas induzidos pela publicidade e determinadas
condutas consideradas anti-sociais, entre outras manifestações de
comportamento.
Na
aprendizagem e no desenvolvimento infantil,a atividade que surge por iniciativa
da própria criança desempenha papel predominante.
É
por meio da EXPERIÊNCIA, da OBSERVAÇÃO e da EXPLORAÇÃO de seu ambiente ,
que a criança constrói seu conhecimento, modifica situações, reestrutura
seus esquemas de pensamento, interpreta e busca soluções para fatos novos o
que favorece e muito, o desenvolvimento intelectual da criança, principalmente,
na fase pré - escolar.
Esta relação entre a vida escolar e o cotidiano é o que
constitui a vida da criança e no mundo atual necessita de humanização. Por
isso, procuramos resgatar na criança de hoje, os sentimentos da solidariedade,
da cooperação, do compartilhar, do prazer de dividir e de dar. É na interação
com seu dia-a-dia que a criança desenvolverá seus valores, sua crítica, sua
postura de vida, além da aquisição do conhecimento. Ao longo do processo de
desenvolvimento a criança vai conhecendo suas habilidades e talentos,
colocando-os em prática e identificando o seu valor.
Autora: Maria do Rosário S. de
Souza
Psicóloga em Campinas SP
Retirado do site Saúde e Vida On-Line